O “Leitura
no Ponto” foi um projeto incentivado pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à
Cultura (FUNCULTURA) no ano de 2008, que possibilitou a continuidade das ações
de formação de leitores da Biblioteca Mestre Batista, sediada ao Ponto de
Cultura Estrela de Ouro, dando início a uma longa caminhada para o
desenvolvimento da cidadania de crianças e jovens moradores da comunidade do
Sítio Chã de Camará.
O
projeto iniciou suas atividades no ano de 2009 com 30 participantes e finalizou
suas atividades com cerca de 50 crianças e jovens da comunidade local.
Aconteciam atividades de fomento ao livro e à leitura, considerando a
importância que a leitura tem na formação de cidadãos críticos e atuantes. Este
foi o primeiro projeto direcionado exclusivamente à formação de leitores na
comunidade, pois que, é certa a existência das atividades de leitura em anos
anteriores, todavia, eram realizadas também atividades de alfabetização de
jovens e adultos, reforço escolar, encontros de mulheres para discussão de
gênero, etc., atividades estas realizadas por graduandos dos cursos de História
e Geografia da Universidade de Pernambuco (UPE).
Com
o projeto Leitura no Ponto, as atividades de leitura ganharam corpo, e ganharam
também o espaço do Ponto de Cultura, pois que, com a aquisição de recursos para
maiores investimentos nas atividades foi possível adquirir novos livros, já que
todo o acervo era fruto de pequenas doações, e realizar o pagamento da equipe,
antes com atuação voluntária. A equipe da biblioteca, à época, constituía-se
por três assistentes pedagógicas – Amélia Patrícia, Bárbara Gonçalves e Wanessa
Santos – e por um coordenador pedagógico – Severino Vicente.
Foi
com o projeto Leitura no Ponto que o Ponto de Cultura Estrela de Ouro iniciou a
construção de sua identidade enquanto equipamento cultural também direcionado
ao desenvolvimento da leitura, possibilitando ainda a recuperação de hábitos e
costumes locais, estes que se perdiam devido a falta de atenção e dedicação
para com as crianças da comunidade. O projeto trouxe além de atividades
educativas, a alegria das comemorações do calendário festivo nacional, daquele
ano em diante tornou-se comum as brincadeiras de momo, as corridas em busca de
ovos de páscoa, grandes fogueiras de São João, pequenos índios e índias
comemorando o dia do folclore, quebra-panelas em dias de São Cosme e Damião… O Leitura no Ponto teve duração de um ano com
encontros todos os sábados, onde eram oferecidas oficinas de leitura, contação
de histórias, atividades de inclusão digital, festejos e brincadeiras.
A partir deste
projeto houve um significativo envolvimento da comunidade com as ações da
biblioteca, a saber, Maria Patrícia – mãe de quatro crianças que frequentavam a
Biblioteca Mestre Batista – no levar e buscar as crianças a cada sábado, acabou
envolvida no projeto e passou a ficar responsável pela organização do lanche.
Certo dia, com a ausência de uma das mediadoras de leitura, Patrícia foi
convidada a realizar atividades de contação de histórias com o grupo I
(crianças com idades entre 04 e 07 anos), após este dia surgiu uma nova
mediadora de leitura para as atividades de formação de leitores da biblioteca,
Patrícia tinha se envolvido de forma tão intensa que se entregou ao desejo de
educar. No mesmo ano matriculou-se no magistério, entrou para a equipe de
agentes do Ponto de Cultura Estrela de Ouro e concluiu os estudos. Em 2010 foi
convidada a participar da TEIA – o encontro nacional dos Pontos de Cultura –
onde atuou pela primeira vez como palestrante e contou um pouco do seu
envolvimento no Ponto de Cultura Estrela de Ouro e de sua atuação no projeto
Leitura no Ponto.
Fonte: texto postado por Amélia Patrícia, assistente pedagógica da Biblioteca Mestre Batista.
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