quinta-feira, 7 de novembro de 2013

ESTÓRIAS DO PONTO - RELATOS DE CRIANÇAS QUE FAZEM A CULTURA VIVA.

Numa tarde de chuva, sendo impossível brincar de bola ou corda no terreiro. Decidimos “forrar” as esteiras na já “pequena” casa-grande - repleta de livros, nos sentamos para conversar e contar histórias.
Demos início à viagem... Era uma vez...

E na nossa grande roda, sentados nas esteiras, assumem a leitura os protagonistas mirins, Edna (13 anos), Adriano (13 anos) e Ailton (10 anos) – todos participantes das atividades do projeto Leitura no Ponto, no Ponto de Cultura Estrela de Ouro.

E deram continuidade a leitura. Mas quiseram também estar ali, dentro do livro, não apenas mergulhados na história, mas reinterpretando-a, retratados. Portanto, decidimos após a leitura, elaborar um texto para contar a história e a identidade cultural dessas crianças que também fazem a Cultura Viva no terreiro da Chã de Camará. E três delas quiseram mostrar-se, espalhar suas histórias e suas culturas para outros pontos, para o mundo.

“Aqui serão mostrados as histórias e desejos de personagens reais. Retratos e vozes de crianças que se encontram, viram enredos, tornam-se samba e invadem a alma com a vontade de serem observadas, vistas e ouvidas. Aproxime-se, abra bem os olhos e, quanto aos ouvidos, deixe-os afinados, para ouvir estas histórias em tom de samba” (Timóteo, 2010, MINC).


ANDERSON, UM JOVEM DE GRANDES MOMENTOS CULTURAIS 

Por Anderson José dos Santos, 15 anos

Meu nome é Anderson, nasci em Timbaúba, Zona da Mata Norte de Pernambuco, no ano de 1995, no dia 29 de março, e sonho em ser engenheiro da computação. Comecei a gostar de cultura popular aos 09 anos, quando minha mãe foi morar no Sítio Chã de Camará – Aliança/PE. Eu vi o Maracatu e dizia: “que coisa bonita!” ficava só na vontade de dançar nas apresentações. Depois o Coco, ficava impressionado com o que eu via, as pessoas dançavam e tocavam sem parar, com vontade de aprender a tocar mas não tinha oportunidade.

Depois de um ano inauguraram o Ponto de Cultura Estrela de Ouro, em 2005. Participei de todas as festas. Com o Ponto de Cultura surgiram vários projetos para aprender a dançar e a tocar o Maracatu, Coco e o Cavalo Marinho, eu participei de todos e aprendia a dançar e tocar todos os brinquedos.

Em 2006 surgiu o projeto para crianças e adolescentes, eu participei e participo até hoje. Com esse projeto tive oportunidade de desenvolver mais a leitura com atividades na Biblioteca Mestre Batista e o Estúdio Mestre Zé Duda.

Em 2007 teve o Festival Canavial que tive oportunidade de conhecer diferentes culturas, danças, comidas, histórias, maracatus e outros.

Em 2008 o projeto se desenvolveu mais, entrou mais pessoas, Foi tendo mais Festas e Festivais.

2009 foi o ano que mais aconteceram coisas, o Mestre Caboclo do Maracatu Estrela de Ouro me chamou para dançar no maracatu, mas minha mãe não deixou. O nosso projeto ganhou um nome e foi apoiado pelo governo, o nome era Leitura no Ponto e virou uma escolinha – Escola Sebastiana Maria da Silva – ganhamos também o Ponto de Leitura, ganhamos mil livros e um computador. O projeto cresceu, começou a ter merenda, salas divididas, eram três professoras: Wanessa, Bárbara e Amélia. Com o grande número de crianças, Cláudia e Layane foram colocadas para ser monitoras da Biblioteca, e eu mais Pê (José Marcos) fomos colocados para sermos monitores do computador. Isso foi uma oportunidade enorme para mim. Sabe, eu tive como aprender a mexer mais no computador e passar o que eu estava aprendendo para outras pessoas. Eu até hoje tenho feito isso, fico monitorando as crianças no sábado e quando posso na semana, porque estudo. (Anderson faz o II ano do Ensino Médio na Escola Estadual Dom Bosco na cidade de Aliança)

Ainda em 2009, disse à professora que queria participar da Roda de Mestres (Roda de Mestres – Festival Canavial 2010, Nazaré da Mata – PE), e ela e o Professor Biu Vicente me chamaram para comparecer. Roda de Mestres é uma sala cheia de Mestres da cultura, e eles fazem uma roda e conversam várias coisas importantes para as brincadeiras da região. Ganhei diploma, conheci o grande escritor Célio Turino (Secretario de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura), que escreve vários livros sobre Pontos de Cultura, ganhei um livro assinado por ele, o nome do livro é: Pontos de Cultura: o Brasil de baixo para cima.

Um projeto foi lançado de uma biblioteca móvel (Biblioteca itinerante – projeto Caminhos do Canavial: leitura, cordel e tradições culturais da Zona da Mata - MINC), colocamos todas as coisas no ônibus e levamos o ônibus para vários lugares com sentido de mostrar para as pessoas que na Chã de Camará têm-se projetos para crianças e que o Ponto de Cultura tem como identidade também o projeto leitura no ponto.

Em 2010 o Mestre dos Caboclos do Maracatu me chamou de novo para participar, e minha mãe dessa vez deixou. Eu saí de caboclo de lança, foi muito bom, isso foi outra oportunidade para mim, gostei muito, no próximo ano irei participar de novo.

Esse ano está sendo muito bom para mim, estou tendo a chance de mostrar a minha história na internet (este texto foi publicado no www.biuvicente.com), para todas as pessoas conhecerem e contar para outras pessoas. Quero manter a cultura viva no lugar de Ederlan (Ederlan Fábio é responsável pela Produção Multimídia do Ponto de Cultura Estrela de Ouro), com a computação e o Maracatu.


ADRIANO, EM MIM NASCEU A CULTURA.

Por Adriano José dos Santos, 13 anos 

Meu nome é Adriano José dos Santos, nasci em Aliança – PE, no dia 30 de setembro em um distrito de Aliança chamado “COHAB”. Comecei a descobrir a cultura dentro de mim quando minha mãe veio morar aqui no Sítio Chã de Camará, localizado no trevo de Upatininga, também distrito de Aliança. Minha mãe, Ana Maria dos Santos, ela brincava de baiana no Maracatu do Sítio, o Maracatu Estrela de Ouro. Maracatu muito conhecido no Brasil todo.

Em 2006 surgiu o projeto de leitura e aí entrei, e comecei a participar. Esse projeto era no sábado, por isso corria muito, mas nem todo o sábado vinha, pois eu morava na COHAB e nem sempre pude vim para o projeto. Mas nos sábados eu comecei a aprender a cultura que havia dentro de mim.

Em 2009 o projeto evoluiu e ganhou um nome, projeto Leitura no Ponto – Escola Sebastiana Maria da Silva. Eu admirava muito a cultura daqui, o Maracatu - que era o mais bonito, o Cavalo Marinho, o Boi Camará, a Ciranda Rosa de Ouro e o Coco Popular de Aliança. Como eu era pequeno, tinha uns 09 anos, não deixavam eu ficar nas festas do Ponto.

Ainda em 2009 eu fiz um poema chamado “Direitos garantidos para o mundo melhor”, e fui entrevistado na Escola (Adriano cursa o 9º fundamental na Escola Estadual Dom Bosco em Aliança – PE; foi entrevistado pela jornalista Inês Calado do JC – Online para a matéria especial “E o verbo se fez Vida”, disponível no endereço: http://www2.uol.com.br/JC/sites/verbo/index.html) e fiquei conhecido como “o poeta” em toda a Escola.

Já em 2010 eu fui chamado para brincar de Arreimá no Maracatu Estrela de Ouro, mas eu ainda era muito pequeno, daí não deu certo. Tentei brincar de caboclo, brinquei no carnaval em 02 apresentações, na terceira mudei para o lampião e gostei. Estarei no próximo carnaval se Deus quiser. E agora o meu Tio está fazendo um Coco de jovens, e estou muito empolgado com a cultura e sonho quando crescer  ser um grande cantador de marchas de Maracatu.


NOSSO PONTO, NOSSA CULTURA

 Por Ivoneide Maria da Costa, 14 anos

Sou Ivoneide Maria da Costa, tenho 14 anos, nascida em Aliança, criada no Sitio Chã de Camará. Minha Mãe é Ivonete Lopes da Silva, uma mulher lutadora; Meu Pai é José Rodrigo da Costa, um homem trabalhador.

Tive uma infância muito alegre, e ao mesmo tempo triste. Com 12 anos comecei a freqüentar o Ponto de Cultura Estrela de Ouro, em 2005 inauguramos nossa primeira Biblioteca, chamada Mestre Batista. A gente tem aula todo sábado, é muito legal, as professoras são: Wanessa, Bárbara, Amélia, e agora Érica.


Hoje em dia temos computadores, a Biblioteca com muitos livros novos; temos aulas de músicas com os Mestres da cultura e o Ponto está crescendo cada vez mais.


Fonte: texto postado por Wanessa Santos, coordenadora pedagógica da Biblioteca Mestre Batista e do Ponto de Cultura Estrela de Ouro.

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